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CONFERÊNCIA DO LAICADO: PAINEL ABORDARÁ MENSAGEM PASTORAL DA CEAST SOBRE 50 ANOS DE INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA

A aguardada conferência do Laicado promete um debate profundo e esclarecedor no seu Painel 5, onde os membros terão a oportunidade de discutir, entre outros tópicos relevantes, a Mensagem Pastoral da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) sobre os Cinquenta Anos de Independência de Angola. Este documento crucial da CEAST oferece uma reflexão abrangente sobre o percurso do país desde 1975, abordando tanto os marcos alcançados quanto os desafios persistentes.

O Painel 4, que decorrerá das 16h00 às 18h00, sob a moderação de Sebastião Panzo, Director Nacional do Senaleigos, intitula-se “Angola 50 Anos – Lições de Sapiência e Testemunhos – Posicionamento dos Leigos na Política, Economia e Sociedade – Debate sobre experiências do leigo no país.” A discussão contará com a intervenção de figuras proeminentes como o Bispo Dom Dionísio Hisiilenapo, Irmã Emiliana Bundo, Dra. Canguimbo Ananás, Dra. Suzana Inglês, Dr. Celso Malavoloneque e a Professora Dra. Irmã Maria de Assunção.

A Mensagem Pastoral da CEAST: Uma Análise Abrangente

A Mensagem Pastoral da CEAST, dirigida a “Amados diocesanos, amados compatriotas e todos os homens e mulheres de boa vontade”, saúda a nação pelos 50 anos de independência, convidando à reflexão sobre o seu significado e implicações. A CEAST reconhece as “alegrias e esperanças, tristezas e angústias” do povo angolano, assumindo-as como suas.

O documento convida os cidadãos a uma análise profunda do cinquentenário da independência, proclamada a 11 de Novembro de 1975. A CEAST sublinha que, embora existam “consideráveis diferenças de sentimentos” em relação à independência, estas são legítimas e representam “expressões diferentes do amor à Mãe Pátria”, que, “se devidamente harmonizadas, são e serão energias indispensáveis para as ingentes tarefas de construção de uma Angola”.

Jubileu e Imperativos de Mudança

A mensagem da CEAST enquadra os 50 anos de independência como um Jubileu, à luz do livro do Levítico, um momento para “dar graças a Deus” e para uma profunda reflexão. Os bispos recordam as agruras do colonialismo português, caracterizado pela exploração e violação dos direitos humanos, e celebram a liberdade e a autodeterminação alcançadas com a independência.

Contudo, a mensagem não se limita a celebrar. Os bispos fazem um apelo incisivo à mudança e à superação das “sombras e insuficiências” que têm marcado o país ao longo destas cinco décadas. Entre os pontos críticos mencionados, destacam-se:

  • Pouco apoio à agricultura familiar e deficiente controle das fronteiras.
  • Gestão insustentável dos recursos naturais, com contrabando e purga de minerais.
  • Problemas na saúde e educação, com escândalos como a cólera e saneamento deficiente.
  • Desvio de fundos públicos e expatriação de capitais, revelando falta de patriotismo.
  • Vandalização de bens públicos e desestruturação social, com degradação do sentido de trabalho.
  • Lógica do oportunismo e egocentrismo, resultando em alto custo de vida e descrédito das lideranças.
  • Crescimento desordenado das cidades e ausência de infraestruturas em muitas zonas.
  • Falta de integridade moral dos líderes e fraco sentido de patriotismo.
  • Conflitos e ódios do passado que persistem, dificultando a reconciliação nacional.
  • Ateísmo ideológico e prático em certas esferas, com a proliferação de grupos religiosos nocivos.
  • Discursos vazios que contrastam com a pobreza extrema da maioria, levando à emigração e criminalidade.
  • Restrições à liberdade de expressão e comunicação social instrumentalizada.
  • Sistema de governação centralizado e assistencialista que sufoca a iniciativa privada.
  • Lógica partidária eleitoralista e priorização do estatuto de militante sobre o de cidadão.
  • Condicionamento dos Chefes de Estado por colaboradores que distorcem a realidade.
  • A CEAST também questiona a eficácia de estudos e consultorias, bem como o impacto de influências externas (cubana, russa, norte-americana, chinesa, etc.) que, em alguns casos, se revelam “presentes envenenados”.

A mensagem culmina com um apelo à transformação do país, sublinhando a importância de um “coração íntegro, magnânimo e compassivo” para combater a avidez e a desordem, e para construir uma democracia moderna assente no respeito pelos direitos humanos, governo transparente, magistratura independente, comunicação social livre, administração pública honesta e o fim da corrupção.

o seu papel activo na construção de uma Angola mais justa e próspera, à luz dos desafios e oportunidades Este painel promete ser um dos pontos altos da conferência, incentivando os leigos a reflectir sobre que se apresentam no seu cinquentenário.

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